Entre,sinta-se à vontade. Não repare as estranhezas,as belezas...

sábado, 9 de maio de 2009

Agradável Noite.

Era final de festa. Naquele momento, por volta das sete da manhã, o ambiente representava mais uma pequena reunião de bons amigos.
Os amigos acabaram por decidir fechar as cortinas; uma forma de truque para disfarçar a claridade surgida, persistente em aumentar, não assustando e espantando assim, os corajosos que mesmo em meio ao sono não queriam abandonar a prosa envolvente para caminhar e constituir o dia sugerido.
No momento, a agitação se dava por dividirem suas visões sobre o rock; alguns achavam maior a importância do Elvis Presley, outros dos Beatles...E as opiniões se convergiam e se divergiam, e puxavam outras questões, e perguntava-se sobre o Blues, sobre a contribuição de Frank Zappa...
As falas se multiplicavam e por vezes ocorriam simultaneamente até que todos perceberam ser uma boa hora para trocar a música no rádio. E o que viria? Tantas já haviam sido as músicas roladas pela noite, como decidir a quem mais agradar naquela hora?
Alguns gritavam por Blues. Outros pediriam Jazz. E ainda havia quem insistisse no Punk.
Uma garota presente, observava e via graça nas disputas. Parece sempre haver dificuldade em situações envolvendo mais de um lado. Seria mais simples se na vida houvesse um juiz? Ou algo como a verdade sendo única?...Não, acreditara que não.
A garota decidira minimizar a polêmica. Voltou-se para os amigos e perguntou se estes sabiam sobre um antigo desenho novamente sendo transmitido na televisão:
- O que? Está Passando Duck Tales? Quando? Onde?...Fora a resposta.
Os amigos se empolgaram e se percebia a alegria ao cantarem “Duck Tales,(uhu) são os caçadores de aventuras (uhu)...Todos eles são grandes figuras (uhu)”...
E naquele momento, todos os presentes lembraram de sua infância. Era quase visível a nostalgia. Nostalgia essa, por vezes portadora de reconforto, de saudade e que por vezes até fere.
E, os historiadores, em maioria ali presentes, acabaram por compartilhar a sua própria história.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Criatura

No corredor do hospital, o que comumente se entende por amorfo e relativo, passa a adquirir formas, tamanha a exuberância dos sentimentos ali embutidos. Os sentimentos dos indivíduos ali hospedados, se acumulando ao longo de inúmeras gerações, move lentamente os braços que agora possui. Se movendo por um árduo rastejar, até que as dores sejam exorbitantes, e se decorra por completa a transformação.
A Criatura, se levanta, exibindo suas novas conquistas, de iniciar um caminhar acompanhado de uma expectativa, cuja falta do componente na formula impede a denominação de felicidade. Evidentemente, não é visível aos olhares humanos. Mas, como muitas coisas que não são tangívéis, afeta os homens.
Naquele ambiente, haviam divagações; divagações sobre coisas diversas, sem deixar de lado aquilo que o homem não pode compreender ao certo. É sabido, que se os homens apenas falassem sobre o que compreendem, logo o mundo estaria em silencio.

Em instantes, o corredor do hospital se ilumina, não propriamente como uma chuva de cores, mas uma claridade denunciando um forte vigor na limpeza do ar. Se torna espantoso a velocidade de abertura de expressões nos olhares dos pacientes. Muitos estavam ali à tempos, amargurados pelo destino incerto, enfraquecidos pelas dores físicas e ociosos com os sentimentos que nem sequer sabem valer a pena transparecer ou até se devem mesmo sentir.
Parece não ser simples estar a espera do correio e, ao invés de uma boa correspondência da lembrança de ti por alguém, com sorte acompanhada de uma caixa de chocolates, receber uma carta da morte.

Os passos da Criatura, cada vez se tornando mais firmes, sombreiam mais e mais a limpeza e perfume do ambiente. Abrem-se também, personalizando os olhares, diversos sorrisos. É reconfortante um momento de tranquilidade após longas preocupações e pensamentos. A primeira reação de muitos, é a dança. Para os menos habilidosos, estranhos saltos e movimentos desritmados do corpo; já outros preferem não se arriscar, escolhendo os abraços. Os sentidos conferem largo poder sob os homens, sendo ou não totalmente enraizados nos instintos biológicos- podendo levar a loucuras e em péssimas hipóteses ao adiantamento da carta da morte- são no geral, a diversão que sempre se procura. Contudo, não são todos os festejadores agindo mesmo sem saber ou enxergar o porque, alguns, seguem ao que sempre foram, mesmo antes do inicio da fase do hospital; agem como um blasé, cuja denuncia revela o tédio ou a forma única em que conseguem ver o mundo, sempre o mais do mesmo, outros revelam o jeito de sempre manter as dúvidas na vitória sob os sentidos, prejudicando-os, é claro, mas favorecendo em diversas vezes, a conquista nas lutas contra as decepções. Mas para estas pessoas, a novidade da falta da dor física já é positiva, mesmo não havendo mudança nas aparências.
A maior claridade, oriunda da porta, chama a atenção da Criatura, instantaneamente guiando seus passos nessa direção. Formada de ingredientes reflexivos, oscilantes mas sobretudo fortes, ela conseguia perceber naquele ambiente do hospital, sua segurança. Mas os mistérios do desconhecido, a ansiedade por surpresas impulsionou sua decisão de continuar caminhando.
A variedade de formas, tamanhos, cores, funções no novo campo de visão, impressionava a Criatura. Pois é, mesmo os mais fortes pensamentos e ideologias perdem-se por algumas belezas.
O resultado poderia ser apenas uma inversão de conceitos. A medida em que a criatura absorvia os sentimentos positivos causados pelos deslumbres, radiava para fora de si, sua matéria pesada. Aquilo afetou cruelmente as pessoas. Evidentemente, muitas delas não sabiam o que era pensar, questionar, duvidar; ao contrário do corredor do Hospital, elas não precisavam se preocupar com a carta da morte, e, as vezes, os padrões pré estabelecidos são tantos que não havia como se desligar das ilusões a estas sempre impostas.

Nunca se vira o ar tão cinza, tão fechado. É claro que os pensamentos por si só não são algo ruim, mas na ocasião em questão, por representarem o desconhecido, pegou os cidadãos de surpresa. Foi o Terror. Arrancaram lhes à força a felicidade, a segurança; muitos ficaram fatigados, a espera da cartilha montada pelas propagandas coloridas. Mas não haviam mais cores.
As grandes corporações perceberam que precisavam fazer algo. Tudo se encontrava morto, não havia como denominá-los de seres humanos, portanto estavam correndo o risco de chegarem elas próprias a um fim. Acabou-se recorrendo ao governo, e por debaixo dos paninhos agora sem cores, fora prometido as mais novas artes, inimagináveis, pagadas é claro, quando ocorresse o retorno ao que comumente se conhecia.
O governo tentou conscientizá-los. Contudo, ninguém nunca ouvia o governo, e evidentemente, consciência nenhuma surge assim de fora. Então o governo decretou uma lei proibindo a tristeza. Mas, a falta de domínio nas reflexões só podia levar a ela, ao caos. Nas ruas, as pessoas passaram a chutar os carros, destruir o comércio, incendiar os bancos. Pois é, tristeza sem controle pode acabar levando a raiva.
Parece que beneficiados mesmo, foram apenas os planos funerários, tiveram um exímio crescimento, nunca antes registrado, ao contrário dos bancos, evidentemente afundando cada vez mais na lama da crise. O resultado representou o auxilio recorrido junto a Igreja. Esta inverteu seus conceitos. Outrora, já havia feito isso, isto é, por deveras vezes. É sabido que tentou explicar o que era o bem e o mau. Começou com Deus, que criou o bem, mas era um ser perfeito e não pode ter sido o criador do mau. Então Deus criou o bem e um anjo decaiu e por si criou o mau. Mas, não, não, sendo o anjo o criador do mau, na lógica, por ter sido criado por Deus, remete a este a culpa da criação do mau. Então, se volta novamente. Define-se que o mau não existe. Existe o bem e a ausência dele; sendo pois, a base do pensamento ocidental cristão. O tal do Deus existe, não se confirma em provas, mas se não existe a partir do que subtende-se por ele, existe a partir da crença que as pessoas conferem a sua existência. Isso gerava medo. Alguns seres instigados, acreditavam por segurança, mas ninguém poderia saber
ao certo. Fato é que, não havia mais o medo. Assim como não havia o juízo de valor entre o certo e o errado, o bem e o mau. Portanto, a maior vitória da Igreja refere-se a alguns fiéis em sua porta; mas estes já não podiam oferecer nada.
A Criatura continuou sua caminhada por longos anos. Parece sempre haver tempo pra se encantar. Mas, sua essência era reflexiva, e em algum momento, passaria a utilizá-la. A Criatura percebeu que tudo aquilo era meio externo a si e propriamente não duradouro. A beleza nunca fora forte pra vencer o tempo. E, a Criatura sentiu o vazio. Fora atingida pela solidão.
Mantinha suas caminhadas, no peito, sempre o aperto cujas formas nunca permitem saber ao certo o que é.
Em mais um belo dia, agora chuvoso, porém com magnânimos orvalhos, a Criatura encontrou uma casinha, e dentro dela, um músico. Ele passava todos os seus dias na companhia dos livros e de seu gato, além de seus instrumentos, é claro. Parecia em paz. Sabia sentir afeição, dar carinho, sabia usar sua criatividade, sabia ser livre, pensar e fazer por si. Não fora afetado pelo ar cinza, permanecia com o que lhe era o bastante e assim, a Criatura pode vê-lo.

Naquele instante, e a partir de então, a Criatura desejou ser uma mulher. Queria seduzi-lo, sentir o que imaginava ser perigosamente humano, porém, ser de todo, algo como vida. A Criatura sabia que não poderia abandonar o que era, por isso sentia dor. O mundo voltara ao normal. A felicidade da ignorância, a ignorância da felicidade. Mas não se contava com uma coisa. Intermitência...
E, de repente, a leveza constante do músico fora interrompida. Havia deparado com uma bela mulher, do tipo com um corpo magro mas de curvas marcantes e um par de olhos esverdeados que brilharam concomitante ao sorriso que ela lhe transmitiu. Segue se sentimentos impossíveis de serem explicados.
Um par de mão dadas, e um novo caminhar, foi o ocorrido. A partir daquele dia, não se sabe o que as pessoas a fora sentiam. Eram donas de sua própria vida.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Paz na Palestina...

Chegou atrasada, adentrou a sala e logo visualizou a roda de dança. Ela permaneceu ali, quieta, os olhos se movendo de um lado a outro da roda; observava o Mohamad conduzindo os no centro do circulo.
Sem que percebesse, a ciranda terminou. Ela foi cumprimentar as pessoas, passou a fazer parte do evento. Algumas palavras foram ditas. A mídia, inocenta Israel e julga os Hamas. Israel não tem motivos para ocupar o território Palestino, os judeus eram considerados afastados de Jerusalém. A mídia, as artes envolvem uma inocência aos judeus, atribuem todos os males às dores sofridas pelo Holocausto nazista, contudo, desviam o olhar sobre os fatos atuais. Se havia reivindicação de território, porque não buscá-los em cobrança com os alemães? Os Palestinos não haviam declarado guerra a ninguém, e não devem ficar isolados quando evidentemente decorrem sérios genocídios. Genocídios estes, que obrigam famílias a abandonarem seus territórios e refugiarem-se em países cuja cultura é totalmente diferente da sua, resultado é claro, uma outra forma de massacre, o ideológico. A Onu acaba por disponibilizar a estes, lugares estratégicos. Mogi das Cruzes é um deles. A cidade é pacífica, os palestinos se encontram em lugares afastados, não mantém um contato entre si, e encontram dificuldades de convívio com os próprios mogianos; sofrem por não conhecer o português e não ter completo domínio do inglês. A ONU lhes repassa uma quantia de 350,00 reais em média, variando de acordo com composição familiar, atividades, etc. Porém, estes palestinos encontram exímia dificuldades na obtenção de empregos, ou seja, desfrutam de baixa qualidade de vida. Os palestinos refugiados, encontram outras adversidades como problemas em atendimento médico; as mulheres palestinas não podem, por sua cultura, consultar-se em ginecologistas do sexo masculino, e quando não é o médico o homem em questão, enviam tradutores homens como acompanhantes. Há relatos de palestinos que foram enviados a asilos ou sanatórios. As histórias contadas precisam ser ouvidas.
Porém, em todos os momentos, a garota esteve ali, deteve alguns pensamentos, queria fazer algo de fato. O engraçado, é que, enquanto estava ali, refletindo, as pessoas passavam e lhe diziam: “Dance guria, Dance”...Ela não sabia dançar, mas não se incomodava de apenas assistir. Mas, um garoto puxou na para dança, era uma dessas pessoas extremamente carismáticas. Divertido, se ofereceu para apertar nela o botão de ligar. Ajudou-a no mexer dos passos. Em instantes, a garota estava ali, brincando e dançando. Até que todos ergueram os braços e começaram a gritar: “ Paz na Palestina”...Em seus pensamentos, ela sabia que aquilo era algo mínimo; mas o grito de um garoto chamou lhe a atenção, virou para observá-lo, deveria ter uns cinco anos, erguia os braços e gritava em um português perdido de um sotaque árabe. Ele olhou para ela e sorriu; ela memorizou este sorriso, de esperança infantil. A garota não se importou com o clichê e gritou “Paz na Palestina!!!”

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Espelhos

Sempre possuiu antipatia aos espelhos. Inicialmente achava estranho pensar neles como uma parte da casa. Mas, em realidade era como imaginava todas as coisas. Acreditava que todos os objetos, pessoas que provinham de um espaço, estavam ali por um sentido. Não seria diferente com os espelhos.
Na infância, costumava imaginar os brinquedos se levantando a noite, para o esboço de suas vidas, em uma dimensão paralela é claro. Os espelhos representariam pois, o portal. Quando ouvia estórias de anjos, também imaginava a aparição destes oriunda deste portal, já que não lhe explicavam como algo de matéria diferente poderia introduzir-se nesse mundo.
De certa forma, detinha medo dos espelhos. Uma vez, ainda pequena, fez uma travessura e quebrou um. As pessoas alertaram lhe que como consequência, passaria por um período de sete anos de azar. A garota passou a atribuir a culpa de todos os seus empecilhos ao objeto cintilante, e a odiá-lo ainda mais. Como inimigo na batalha, este detinha uma forte arma, passou a exercer a tarefa mais intrigante em sua vida; mostrava-a que ela estava crescendo.
A garota ainda encontrava tempo para pensar nos espelhos, afinal, costumava pensar demais em tudo .Certa vez, posicionou um espelho na frente do outro, desejando desvendar os segredos que poderiam existir, porém, se assustou com a imensidão da imagem criada, e sentiu-se pequena e insignificante. Evidentemente, a garota não desistiu. Em outra tentativa, colocou uma madeira maior do que si, com abertura na altura dos olhos, objetivando olhar para o objeto e não encontrar sua imagem. O resultado lhe pareceu o cenário de um espetáculo sem personagens, mas o espelho permaneceu intacto, inviolável.
Com o tempo, se esqueceu do espelho, esqueceu-se de muitas coisas. O contato com eles fora mantido. Mas, a garota não pensava mais nos mistérios destes, e sim nos seus próprios.
Intrigava-se com sua imagem, não conseguia compreender suas formas; estas pareciam tão sem sentido. Costumava não simpatizar muito com suas feições, mas desistiu de pensar a respeito. O que mais lhe inquietava, era o fato de sentir-se tão viva por dentro, mas encontrar dificuldades e não saber mostrar-se totalmente por fora. No entanto, isso resultou em abertura aos aprendizados.
A garota conheceu pessoas, pessoas com sonhos, medos semelhantes, ou quando não eram semelhantes sabia haver a crença no desejo do outro. Descobriu no mundo, o valor da amizade, descobriu uma forma diferente e positiva de espelho, e a este, sempre mantém a simpátia.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Consciência

Cientistas e neurociêntistas alegam ser a memoria de um passado, a expectativa de um futuro, e a compreenção de possuir esta noção, o diferencial entre o cérebro do homem e o das demais espécies. Anteriormente, se acreditava, baseados em teoria de Crick e correntes como darwinismo social e sociobiologia, a ideia de determinação da mente pela genética, ou seja, os aspectos mais importantes da mente estariam codificados no DNA, e por meio destes, as capacidades inatas, as tendências e os comportamentos individuais, incluindo inteligência, preferências sexuais e preconceitos raciais. Contudo, novas teorias sobretudo com Edelman, propõem o funcionamento do sistema como oriundo de seleção. O darwinismo neural sustenta o posicionamento das ciências humanas, pois, a formação de circuitos entre os neurônios, e as ligações entre percepções, sentimentos, pensamentos e comportamento é determinada pela experiência e não pelos traços herdados geneticamente dos pais. Esta visão de consciência é comparável a concepção da natureza humana por Karl Marx; em geral, a necessidade e impulsos de se viver em comunidade e o controle do ambiente, ou seja o fato da criação dos próprios meios de produção, modificada e transformada em cada época histórica pelas circunstancias. Deriva-se desta natureza, o movimento da historia e os antagonismos sociais. E, neste aspecto que Edelman coloca que, se fosse inteiramente determinada pela genética, não haveria como promover mudanças qualitativas na espécie humana. E, é exatamente neste aspecto o atraente de minha atenção, sobretudo focado no cientifico. Edelman, e diversos neurociêntistas idealizam construir uma verdadeira consciência artificial. Entretanto, o projeto enfoca-se em maquinas evolucionarias, mais parecidas com os robôs da ficção cientifica do que com os atualmente existentes nas fábricas.
Ao meu modo, colocaria como forma de consciência artificial o desenrolar da trama cinematográfica o Show de Thruman. A vida do protagonista é completa e inviolavelmente criada e modelada, portanto a consciência artificial, seria toda vivência segundo padrões pré estabelecidos, segundos rotinas, conceitos e realizações já impostas aos seres. Se os estados de consciência são subjetivos e irredutíveis a qualquer definição ou padrão, podemos considerar a anulação do caráter individual - diferente, capaz de obtenção e produção de objetivos, vontades, ações e noção de seu meio - de cada ser como consciência artificial.
Fato instigante, é a vontade da criação da consciência artificial, a imagem e semelhança das ficções. Nas abordagens cinematográficas como A.I, Inteligência artificial e o Homem Bi Centenário, o robô ou consciência artificial passou por um processo evolutivo de criação, apresentando espetacular adaptação tecnologica, representando uma maior facilidade de vivência com o meio. Porém, em ambos os filmes, o personagem principal detém o desejo de se tornar humano e usufruir de sentimentos, referente único ao subjetivo e individual do ser. Haveria pois, um paradoxo? Ou denota a lição promovida pelo Mágico de Oz, o qual, já se é tudo aquilo cuja pretensão é de ser, bastando apenas olhar com diferentes olhos?
A tecnologia continua se desenvolvendo, criando novas facilidades e novas necessidades, e, o homem se perde em padrões e desigualdades. Pois bem, permanece a questão das consciências artificiais, da atuação de cada personagem em sua própria cena e no espetáculo como um todo. E, aos neurociêntistas, aos idealistas, permanece a questão ou ideia de ser ainda possível a melhora do homem?

Pensamentos

Sentia-se uma boba por ainda pensar tais coisas. O chapéu, era a imagem permanente. Um chapéu preto, revestido sobre o cabelo preto, ocasionalmente movidos por braços finos e longos; era tudo que conseguia visualizar. Sabia que por trás disso tudo, havia desenhos dançantes. Costumava pensar que poderiam ser os desenhos, as luzes coloridas os responsáveis pelo encanto.
Aliás, em seus pensamentos havia a dúvida sobre o que move as pessoas. Havia frequentado shows, cerimônias religiosas, eventos políticos; pode presenciar muitas pessoas em torno de uma causa comum. É claro, não fazia intencionalmente, mas por vezes, pequena, ao meio de tantas pessoas, desligava os seus sentidos e passava a os observar. Visualizava a cena como engraçada, bonita e até mesmo mágica: diversas pessoas pulando, ouvindo e decifrando uma melodia decodificada por exímios músicos. Mas, adorava quando ela própria vivia isso. Em cerimônias religiosas, se imprecionava com todos fechando os olhos ao mesmo tempo, ao som de uma única palavra. Neste aspecto, não havia certeza, não compreendia totalmente a fé, mas entendia que funcionava como um auxílio à muitas pessoas. Era preocupante, apenas quando decorria o contrário. Sabia que acreditava em algo, amorfo, antagônico, mas belo e por vezes, reconfortante. Já os ventos políticos soavam como um mistério maior, existem pessoas insatisfeitas, reivindicando melhorias, porém não há necessidade de encaminhá-las de forma vertical, as burocracias e hierarquias demonstram a história, tendem a cair no oportunismo e ditaduras. Pensava ser preciso a coerência, saber que a desigualdade existe, compreender que em sua maioria, os fatos são socialmente construídos. Odiava a passividade.
Mas enfim, o que movimenta as pessoas? Aparências, interesses o dinheiro? O dinheiro movimenta as pessoas ou as pessoas movimentam o dinheiro? A crise externa mundial é fruto do capital especulativo, e, propriamente do esgotamento de recursos. Com a história não sendo escrita de forma racional, na existência no cotidiano, as pessoas são movidas por semelhanças com outras, propósitos ou sonhos coloridos?
Era a hora de falar sobre seus sonhos; isso assustava é claro, sabia que por vezes não poderia controlá-los, e, sobretudo aquele conceito de que deveria empenhar-se por eles mantia-se ali, em algum canto do peito ou consciência. O que a colocava em choque, era saber não poder parar o tempo, e, certamente, não iria querer passar por cima de ninguém. De fato tinha esperança, mesmo sem ter a certeza de ser algo bom; diziam lhes ser bonito, mas por vezes ria por não saber se esperança é hipocrisia. Frase dita por um grande músico.
Contudo, não poderia mudar quem era. Lembrava-se de leituras cuja afirmação dizia a possibilidade de se reinventar. Mas como seria isso? Definitivamente, anular totalmente a espontaneidade não estava em seus planos.
Pois bem, “a vida dos outros”; poderia ser isso. Era incrivelmente fascinante como acreditava no sonho do outro. A garota pensava ser o mais envolvente as idiossincrasias dos seres que guardava em sua memoria. Havia uma menina incomodada com barulhos humanos, uma moça com exuberância de onomatopeias, um rapaz que encostava seu olho no alheio e dizia pegá-lo, um moço cuja forma de dormir se assemelhava a um cachorro.
Mas, e os seus sonhos coloridos? E sob descer as cataratas do Iguaçu com uma capa de chuva amarela? Olhou para os seus próprios olhos; aparentava ser forte...mas por vezes enterrou sonhos na areia, por vezes sufocava-se dentro de um trem.
Sentia-se uma boba por ainda acreditar em mudanças. Sabia possuir memória fotográfica, havia registrado coisas diversas. Sabia que existiriam outras à guardar. Visualizava o chapéu. Estaria voando, livre? Sabia que a imagem poderia passar. Saberia ser o que gostaria? Tocaria ainda, os braços longos? Ou o chapéu retornaria ao cabide?
Sentia-se com sono, resolveu dormir

Hipnotizante

O som estonteante de seu sorriso prendeu me em devaneios
Um labirinto sem fim
Sem respostas, sem sentido...
E meu mundo, mais uma vez pôs-se a girar.
Seus olhos, viravam-se mirando o horizonte
Como se me jogassem uma corda para fugir.

Mas a liberdade?
Está veio apenas com seus lábios...